Sunday, 21 December 2008

A Evolução de Noé - Parte 2

Como vimos antes, o lagartixa fumegante Sabido tentou de forma meio trapalhona explicar que o conceito de espécie bíblico não era o mesmo que o actual para justificar como Noé poderia ter levado tantos animais na arca. Mas isso só por si não explica nada e o lacertídeo sabe disso. A explicação (e o melhor do acto cómico estava ainda para vir!). Então o lagartixa deu um golpe de cintura e toma lá que Noé afinal levou apenas uma "meia-dúzia" de casais, e a partr daí, os seus descendentes diversificaram-se dando origem às "espécies" actuais. Ou seja, eles evoluíram!!!! Para começar, é bastante ridículo que o Sabido que passou tanto tempo a criticar a evolução, agora diz que afinal, a única forma de explicar como Noé conseguiu transportar tantos animais é usar a própria evolução para reduzir um bocadinho o número. No entanto, nós já conhecemos bem o argumento de "os criacionistas não criticam a microevolução mas sim a macroevolução". E aqui a questão é, mas se nem sequer sabem como definir espécie de forma objectiva, como vão definir onde acaba a micro e começa a macroevolução? Pois, não sabem! Mas desta vez o Sabido foi ainda mais creativo.

No seu post final sobre o assunto, o lacertídeo pôs uma figura linda (onde é que eu já vi uma coisa parecida... já me lembro, nos livros de biologia evolutiva!!!) em que um grupo ancestral se divide em grupos diferentes ao longo do tempo. O Sabido diz que esta separação se deveu a uma redução do "potencial genético" devido às mutações. O Sabido definiu potencial genético como a quantidade de genes juntamente com a diversidade dos mesmos. Para começar, temos o problema de definir diversidade genética (não lhe perguntei porque vi que ele tinha ficado bastante perturbado quando lhe perguntei a definição de potencial genético, e então não quis perturbar a besta reptiliana outra vez, não fosse ele destruir uma qualquer aldeia inocente!!), mas vamos ser generosos para o Sabido e defini-la como número de variantes do mesmo gene existente na população/grupo. Sendo assim, e olhando para o esquema que o Sabido apresentou, será correcto assumir que as populações que actualmente têm maior número de genes assim como maior diversidade genética são as que mais se assemelham ao grupo ancestral. E aqui está um grande problema (pelo menos para a divag... teoria do Sabido). É que o que se verifica na realidade é perfeitamente inconsistente com este modelo. Vejamos...

Se olharmos para a espécie humana (gostaria de lembrar aqui que, segundo o Sabido, não é muito claro o que isto é!!!), a população que actualmente apresenta maior diversidade genética (o número de genes é sempre o mesmo) é a população africana. No entanto, se olharmos, por exemplo, para os genes ligados à coloração, o que vemos é precisamente o contrário. As populações africanas apresentam uma diversidade genética muito menor nestes genes do que os europeus ou os asiáticos. A explicação para isto é muito simples, os Africanos, devido ao clima em que vivem, precisam de ter a pele mais escura para se protegerem dos raios UV (muito mais intensos em África) e como tal (em termos biológicos) não toleram variantes desses genes tendendo a ter sempre as mesmas variantes. Já para os Europeus e Asiáticos, isto não é problema, e como tal não só ficam branquinhos, como apresentam muito mais variação nestes genes do que os Africanos (a isto chama-se selecção natural, mas não interessa agora para o caso).

Mas ainda há mais. De facto, para confirmarmos esta teoria do lacertídeo, seria ideal que pudessemos seguir um grupo de animais em que tivesse acontecido algo semelhante, ou seja, um (ou dois) casais de uma determinada espécie são levados para um local onde essa espécie não existe, e onde não há hipótese de animais da mesma espécie migrarem de outro lado. Infelizmente para o lagartixa, isso já foi feito. Em 1911, uma companhia baleeira decidiu introduzir 10 renas na ilha da Geórgia do Sul como forma de entreter os trabalhadores que aí tinham que ficar durante largos meses. Mais tarde, em 1925, voltaram a introduzir 3 machos e 4 fêmeas de Renas numa outra zona da ilha. Eventualmente, a caça à baleia deixou de ser lucrativa, e os trabalhadores que lá viviam abandoram a ilha, e as duas populações de renas ficaram livres para fazer o que quisessem. Recentemente, uma equipa de investigadores foi lá e decidiu fazer estudos genéticos nestes animais. O que eles queriam saber era, quais os efeitos genéticos de uma redução tão drástica na população. Os resultados surpreenderam até o mais experiente biólogo. De facto, nenhuma das populações mostrava qualquer sinal de redução genética, antes pelo contrário. A sua diversidade era tão grande que nenhum programa feito para detectar reduções de diversidade genética consegiu dar resultados positivos. Se não soubessemos a história, diríamos que aquela era uma população saudável e estável há vários milhares de anos. É importante notar que este desenvolvimento se fez sem qualquer intervenção humana, e sem qualquer hipótese de renas de outras regiões terem migrado para lá (a não ser que sejam as renas voadoras do Pai Natal!!!).

Ou seja, além do facto mais ridículo e cómico de que o lacertídeo nicotinómico ter usado a evolução para justificar o seu livro preferido onde não é permitida a evolução, acabou por utilizar um modelo que é claramente destruído pela realidade e pelos factos científicos. Ou seja, se Noé de facto existiu e levou animais na sua arca, então esses animais tiveram que evoluir ao longo do tempo (como tinham feito todos os animais antes deles), e evoluiram segundo os mecanismos que actualmente conhecemos, alguns dos quais descobertos por Charles Darwin (vade retro Satanás!!!!), e não segundo o mecanismo biblicó-Sabido de que os animais se diversificaram por perderem variação genética.

2 comments:

Lucas said...

" Para começar, é bastante ridículo que o Sabido que passou tanto tempo a criticar a evolução, agora diz que afinal, a única forma de explicar como Noé conseguiu transportar tantos animais é usar a própria evolução para reduzir um bocadinho o número"

hmmm...... um lagarto que se transforma em lagarto não é evolução. A tua definição de "evoluç«ão" é tão vaga que podes dizer que os teus filhos são mais evoluídos que tu pelo simples facto de eles erem diferentes.
Evolução é a transformação mágica de um tipo de animal para outro (ex: dinosasuro para áve, cão/lobo em baleia).

Não uses o facto empírico da variação genética como evidência para o aparecimento de informação genética.
Isto já te foi dito várias vezes, mas tu és teimoso.

Deixa-me dizer isto de uma forma clara e concisa:

>Variação não é evolução!

Beowulf said...

Não Mats, não leste bem o post. Um indivíduo não "evolui", mas sim um conjunto de indivíduos. Da mesma forma que o facto de alguns indivíduos de espécies diferentes se cruzarem em laboratório não torna essas duas espécies numa só.

"Isto já te foi dito várias vezes, mas tu és teimoso."

Mats, o facto de dizeres o mesmo disparate vezes sem cotna não torna esse disparate verdadeiro. De qq forma, novamente não leste o meupost com atenção. A questão aqui era testar o modelo do Sabino de que os animais perdem potencial genético com o tempo. Segundo a definição dele de potencial genético, o que os estudos empíricos mostram é o contrário, é que se pegares em dois ou três casais de um qualquer animal, com o tempo eles ganham potencial genético, e não o perdem como dizia o Sabino. Ou seja, respondeste a uma questão que nem sequer coloquei no post.