De há uns meses para cá que sigo as investidas que o dracolino Sabido faz à teoria da evolução. Bom, dizer ataque à teoria da evolução não é muito correcto, uma vez que nem sempre é muito claro o que é que ele pretende atacar. Por vezes é o "darwinismo", outras vezes é apenas a macroevolução, outras vezes o mais elementar senso comum.
Numa série recente de posts decidiu explicar como é possível que Noé tenha levado tantos animais na sua arca (no fim de contas, actualmente temos milhões de espécies, sendo que cada dia se descobrem espécies novas).
Para começar, o Sabido decide fazer uma manobra de diversão dizendo que o conceito de espécie utilizado actualmente não corresponde ao conceito de espécie bíblico. Para tal decide utilizar o conceito de espécie:
"Em 1942, Ernst Mayr definiu espécie como um grupo de organismos que acasalam entre si e geram descendência fértil, estando isolados, em termos reproductivos, de outros grupos."
Aqui começam os problemas. Primeiro que tudo a definição de Mayr não é bem a que o réptil apresenta, mas vamos ignorar isso por agora. O importante é que em vez de utilizar uma definição mais actual (e mais consensual) utiliza uma definição que começou a ser formada em 1944 (e não 1942 como afirma; a primeira vez que Ernst Mayr tentou definir o que era uma espécie foi num artigo de 1944, e a definição de então pouco tinha a ver com a que começou a adoptar mais tarde). Mas os problemas não acabam aqui. De facto, a ideia de que a capacidade de reprodução define uma espécie remonta a tempos bem mais antigos, nomeadamente 1735 quando Lineu (um criacionista) decidiu organizar a obra de Deus. Parece até que Lineu tinha uma certa obsessão com o sexo (vade retro belzebu!!) uma vez que várias espécies que ele classificou têm nomes como fornicata ou clitoria!! O problema desta ideia é, como o Sabido tentou demonstrar, que algumas das "espécies" assim definidas começaram a hibridizar em laboratório apesar de nunca o fazerem na natureza.
A demonstração, no entanto, foi uma autêntica desgraça. Grande parte dos exemplos que dá de hibridação entre espécies resultam em híbiidos inférteis, ou seja becos sem saída. Apesar de indivíduos poderem cruzar-se e originar um híbrido, a espécie como um conjunto permanece intacta (como por exemplo, o burro e a zebra). Noutros casos, os híbridos apenas existem em condições artificiais, sendo que na natureza as espécies permanecem isoladas (caso do wolphin, que ao contrário do que o réptil diz, é um cruzament0 entre duas espécies de golfinho e não entre uma baleia e um golfinho, ou seja, dentro da mesma família). Outros ainda representam cruzamentos entre uma espécie e os animais domésticos a que essa mesma espécie deu origem, não representando espécies "naturais".
Ou seja, a argumentação do réptil começa logo mal e mostra como deturpa factos da forma que lhe convêm. Também pudera, tendo em conta que foi buscar a lista de híbridos a um "Top 10" de coisas fixes, não poderia saber muito sobre as bases biológicas dos exemplos que dá. Da mesma forma preferiu ir buscar definição de espécie a um texto manhoso cuja autoria é obscura, em vez de, por exemplo, ir a uma Wikipédia ver que a questão afinal, não é tão óbvia assim. Finalmente, se ele tivesse lido o livro que tanto critica (A Origem das Espécies) teria percebido que não é o primeiro a criticar o significado biológico da categoria espécie. Não deixa de ser irónico que na sua tentativa de destruir a teoria que tanto abomina acabe por adoptar alguns dos seus fundamentos mais básicos. Mas vou deixar isso para ele descobrir quando finalmente acabar de decorar a bíblia e comece a ler outras coisas.
Mas não acaba aqui, e o que está para vir é ainda mais irónico (e diria,cómico). Por isso fiquem para ver a segunda parte...
Numa série recente de posts decidiu explicar como é possível que Noé tenha levado tantos animais na sua arca (no fim de contas, actualmente temos milhões de espécies, sendo que cada dia se descobrem espécies novas).
Para começar, o Sabido decide fazer uma manobra de diversão dizendo que o conceito de espécie utilizado actualmente não corresponde ao conceito de espécie bíblico. Para tal decide utilizar o conceito de espécie:
"Em 1942, Ernst Mayr definiu espécie como um grupo de organismos que acasalam entre si e geram descendência fértil, estando isolados, em termos reproductivos, de outros grupos."
Aqui começam os problemas. Primeiro que tudo a definição de Mayr não é bem a que o réptil apresenta, mas vamos ignorar isso por agora. O importante é que em vez de utilizar uma definição mais actual (e mais consensual) utiliza uma definição que começou a ser formada em 1944 (e não 1942 como afirma; a primeira vez que Ernst Mayr tentou definir o que era uma espécie foi num artigo de 1944, e a definição de então pouco tinha a ver com a que começou a adoptar mais tarde). Mas os problemas não acabam aqui. De facto, a ideia de que a capacidade de reprodução define uma espécie remonta a tempos bem mais antigos, nomeadamente 1735 quando Lineu (um criacionista) decidiu organizar a obra de Deus. Parece até que Lineu tinha uma certa obsessão com o sexo (vade retro belzebu!!) uma vez que várias espécies que ele classificou têm nomes como fornicata ou clitoria!! O problema desta ideia é, como o Sabido tentou demonstrar, que algumas das "espécies" assim definidas começaram a hibridizar em laboratório apesar de nunca o fazerem na natureza.
A demonstração, no entanto, foi uma autêntica desgraça. Grande parte dos exemplos que dá de hibridação entre espécies resultam em híbiidos inférteis, ou seja becos sem saída. Apesar de indivíduos poderem cruzar-se e originar um híbrido, a espécie como um conjunto permanece intacta (como por exemplo, o burro e a zebra). Noutros casos, os híbridos apenas existem em condições artificiais, sendo que na natureza as espécies permanecem isoladas (caso do wolphin, que ao contrário do que o réptil diz, é um cruzament0 entre duas espécies de golfinho e não entre uma baleia e um golfinho, ou seja, dentro da mesma família). Outros ainda representam cruzamentos entre uma espécie e os animais domésticos a que essa mesma espécie deu origem, não representando espécies "naturais".
Ou seja, a argumentação do réptil começa logo mal e mostra como deturpa factos da forma que lhe convêm. Também pudera, tendo em conta que foi buscar a lista de híbridos a um "Top 10" de coisas fixes, não poderia saber muito sobre as bases biológicas dos exemplos que dá. Da mesma forma preferiu ir buscar definição de espécie a um texto manhoso cuja autoria é obscura, em vez de, por exemplo, ir a uma Wikipédia ver que a questão afinal, não é tão óbvia assim. Finalmente, se ele tivesse lido o livro que tanto critica (A Origem das Espécies) teria percebido que não é o primeiro a criticar o significado biológico da categoria espécie. Não deixa de ser irónico que na sua tentativa de destruir a teoria que tanto abomina acabe por adoptar alguns dos seus fundamentos mais básicos. Mas vou deixar isso para ele descobrir quando finalmente acabar de decorar a bíblia e comece a ler outras coisas.
Mas não acaba aqui, e o que está para vir é ainda mais irónico (e diria,cómico). Por isso fiquem para ver a segunda parte...

5 comments:
"Numa série recente de posts decidiu explicar como é possível que Noé tenha levado tantos animais na sua arca (no fim de contas, actualmente temos milhões de espécies, sendo que cada dia se descobrem espécies novas)."
O post serviu para dizer que a "espécie" referida na bíblia não tem o mesmo significado do que a "espécie" de hoje. Noé não levou 7 casais de cada uma das 300 "espécies" de cães existentes hoje. Levou 7 casais de cães.
Chamas-lhe o quiseres, manobra de diversão ou outra coisa qualquer, mas é a verdade. Eu sei como te sentes. Tu vês que o problema de noé levar tantos animais na arca não é assim tão grande problema quando se tem em mente que apenas levou representantes de cada tipo de animal, e não representantes de cada variação do mesmo animal que existe hoje.
"caso do wolphin, que ao contrário do que o réptil diz, é um cruzament0 entre duas espécies de golfinho e não entre uma baleia e um golfinho, ou seja, dentro da mesma família)"
O hibrido foi entre uma orca e um golfinho nariz de garrafa. "Espécies" diferentes, e até "géneros" diferentes. Ao referires-te ao "dentro da mesma família", estás precisamente a tocar no meu ponto. A "espécie" como a entendes hoje é totalmente diferente da "espécie" bíblica. Se fosses inglês nem sequer estarias a discutir essa questão, já que a bíblia diz tem o termo "espécie" traduzido por "kind" - tipo - definição mais verosímel.
Apesar de tudo, o caso deste hibrido é totalmente irrelevante para o episódio da arca. Animais marinhos não foram na arca.
"Também pudera, tendo em conta que foi buscar a lista de híbridos a um "Top 10" de coisas fixes"
Os casos não são inventados, tótó. Estão todos documentados em publicações. Eu coloco links que possam estar acessíveis aos leitores. Ou preferias que colocasse a bibliografia do livro do John Woodmorappe?
É engraçado citares a Wikipedia... como se fosse uma fonte de autoridade.
Olá Sabino! Espera que ainda não acabei!
"O hibrido foi entre uma orca e um golfinho nariz de garrafa. "
Não Sabino,foi entre uma falsa-orca (Pseudorca crassidens) e um roaz-corvineiro (Tursiops truncatus). Se tivesses lido as tais referências científicas já sabias isto há muito.
"É engraçado citares a Wikipedia... como se fosse uma fonte de autoridade."
Eu não citei a Wikipedia como fonte de autoridade. Usei apenas para demonstrar que até na Wikipedia, uma fonteacessível a todos, estálá explicado que a questão da definição de espécie não é tão simples e consensual como quiseste fazer parecer. Eu sei que não gostas quando alguém demonstra a tua ignorância (ou será desonestidade?!), mas espera, o melhor ainda está para vir!
Se quiseres que alguém leia os teus textos, põe letras escuras sobre fundo claro.
Natenine, obrigado pelo comentário. Encara isto da seguinte forma: quem estiver mesmo interessado em aprender faz um esforcinho e lê na mesma! Fora de brincadeiras, a estética é importante, mas ainda bem que não gostamos todos da mesma coisa!! :)
Mas o facto de o fundo ser escuro pode matar o interesse das pessoas.
Não sejas teimoso, Beowulf! :-D
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